Raquel Teixeira participa de painel sobre neurociência, aprendizagens e políticas públicas na Brain Week 2026
Evento internacional promoveu uma programação específica para educadores, abordando neurodivergência e educação inclusiva
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A Secretária da Educação Raquel Teixeira participou, nesta quarta-feira (03/06), da programação da Brain Week 2026, evento voltado à discussão sobre neurociência, aprendizagem e desenvolvimento humano. Realizadas na Casa NTX, em Porto Alegre, as atividades que abordaram o eixo Educação reuniram pesquisadores, gestores e profissionais da área para debater práticas pedagógicas inclusivas, saúde mental e estratégias de apoio às diferentes formas de aprendizagem no ambiente escolar.
Ao longo da tarde, especialistas de diferentes instituições do país e do exterior participaram de painéis sobre dificuldades de aprendizagem, neurodivergências e os impactos emocionais no desenvolvimento escolar. Raquel apresentou o painel de encerramento da programação, que debateu os desafios do acolhimento e da inclusão efetiva de estudantes neurodivergentes no ambiente escolar, ao lado do secretário municipal de Educação de Porto Alegre, Leonardo Pascoal.
“Hoje, o grande desafio é entender como a escola pode eliminar barreiras e construir ambientes realmente inclusivos. Estamos convivendo em um cenário em que os diagnósticos se aperfeiçoaram e em que os impactos da pandemia e das enchentes afetaram profundamente estudantes e professores. Por isso, a Rede Estadual vem fortalecendo ações como o Núcleo de Saúde e Bem-Estar e o Centro de Educação Baseado em Evidências, porque entendemos a importância dos dados, do acolhimento e da construção de políticas públicas que apoiem as escolas nesse processo”, destacou a secretária da Educação, Raquel Teixeira.
Raquel também ressaltou a importância da formação continuada dos profissionais da educação e anunciou o lançamento das Diretrizes Curriculares da Educação Especial, previsto para o dia 15 de junho. “Inclusão é uma responsabilidade coletiva de toda a escola. Queremos apoiar as equipes pedagógicas e fortalecer cada vez mais práticas que garantam pertencimento, aprendizagem e equidade para os nossos estudantes”, afirmou.
Diretrizes e gestão do atendimento inclusivo
Nos últimos anos, para atender à demanda da Educação Especial, o governo do Estado expandiu a quantidade de Salas de Recursos Multifuncionais (SRM), que são espaços nas escolas de educação básica equipados com materiais didáticos específicos, mobiliários, equipamentos e recursos de acessibilidade. Na Rede Estadual, conforme dados do Centro de Educação Baseado em Evidências (CEBE), vinculado à Secretaria da Educação (Seduc), os ambientes escolares destinados ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) passaram de 1.147 em 2021 para 1.582 salas em 2026.
Além disso, demonstrando o compromisso da Seduc com a educação especial na perspectiva inclusiva, a Rede Estadual conta hoje com mais de 2.730 professores especialistas em AEE.
Ao longo do painel, Raquel detalhou os marcos legais e as políticas públicas de inclusão nas escolas da Rede Estadual. Ela explicou que a reorganização das práticas pedagógicas promovida pela Seduc nas escolas estaduais fortaleceu o AEE, que não depende apenas de laudo médico ou da estrutura física da SRM, mas principalmente da atuação dos professores especialistas.
Na Rede Estadual, existem mecanismos que incluem o estudo de cada caso específico e do plano de AEE da escola. Junto com a figura do profissional especializado em AEE, a gestão escolar também adota o Plano de Ensino Individualizado (PEI), construído em parceria com a equipe pedagógica e com a família
A governança pedagógica estabelece uma distinção sobre o público-alvo do AEE. Estudantes com Transtorno do Deficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), por exemplo, necessitam de adaptações pedagógicas responsivas em relação ao tempo e às metodologias de mediação. Contudo, eles não entram automaticamente como público do AEE, exceto se o quadro estiver associado a uma deficiência ou ao TEA.
A política estadual define uma dinâmica de corresponsabilidade entre a Seduc, que é órgão central, as Coordenadorias Regionais de Educação (CREs) e as escolas. O professor especialista em AEE atua de forma colaborativa. Sua função principal é apoiar os docentes regentes do ensino comum na formulação de estratégias de acessibilidade curricular focadas no estudante público da Educação Especial, mas que, por consequência, também beneficiam toda a comunidade escolar.
Durante a apresentação, os participantes também enfatizaram a importância de compreender a escola como um espaço de acolhimento, pertencimento e aprendizagem, capaz de reconhecer diferentes formas de aprender, se comunicar e participar. Além disso, foram discutidos temas como a construção de currículos mais acessíveis, a atuação colaborativa entre professores e equipes pedagógicas e a articulação com famílias e redes de proteção.
A programação do eixo Educação contou ainda com palestras do psiquiatra Guilherme Polanczyk, da Universidade de São Paulo (USP), do neuropsicólogo Vitor Haase, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e do neurocientista francês Stanislas Dehaene, referência internacional em estudos sobre leitura e cognição.
Sobre a Brain Week
A semana de atividades é uma das iniciativas da 22º edição do Brain Congress. O congresso, o maior na área no Brasil, têm a expectativa de reunir mais de sete mil profissionais, entre brasileiros e estrangeiros.
Os debates, sob uma perspectiva multidisciplinar, trarão à tona os avanços mais recentes em bem-estar emocional, neurologia, comportamento humano e inovação aplicada à saúde.
Dentro da programação maior do evento, a Brain Week busca popularizar o conhecimento científico, com ações em escolas, centros culturais, espaços públicos e hubs de inovação, aproximando a neurociência e a sociedade.







